Quebrando o ciclo: Como a Mentalidade Coletiva Molda o Brasil e o Caminho para o Despertar Pessoal
- Priscila M'Alecrim

- 8 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Vivemos tempos em que pensar por conta própria parece ser uma ousadia. Questionar o óbvio, refletir além do que é servido nas redes sociais ou nos discursos prontos tornou-se quase um ato de resistência. Isso me fez refletir: será que o "normal" de hoje é, na verdade, estar preso a uma 'manada? Será que nos tornamos uma sociedade onde o raciocínio crítico foi trocado por opiniões copiadas e repetidas sem filtro? A resposta, por mais desconfortável que seja, é: sim, em boa parte. Vivemos em um cenário onde o pensamento coletivo muitas vezes não nasce de uma construção conjunta, mas de uma repetição automática. A cultura da superficialidade nos engole: seguimos ideias como quem segue modas, adotamos crenças como quem adere a tendências. E o mais preocupante é que, muitas vezes, nem percebemos que deixamos de pensar por nós mesmos.
Uma herança que nunca dos deixou No caso do Brasil, isso vai além de um fenômeno atual. A cultura de seguir a manada, de obedecer sem questionar, tem raízes profundas. E elas estão fincadas lá atrás, no momento em que fomos colonizados. O Brasil não foi "descoberto" - foi invadido, explorado e saqueado. Desde o início, fomos tratados como objeto de lucro, como colônia de exploração, como território a ser dominado. A história que nos contaram - e que continuamos contando nas escolas - e, em grande parte, uma narrativa de dor. de subserviência e de manipulação. Essa história nunca acabou. A lógica colonial se transformou, mas não desapareceu. Hoje, ainda somos reféns de um sistema que suga nossas riquezas, nossa cultura e até nosso senso de identidade. A dominação, antes era feita com correntes e violência; hoje, ela acontece pelo consumismo, pela idolatria cega, pela desinformação e pelo controle ideológico.
Recolonizados pelo Consumismo
Vivemos uma recolonização silenciosa. Agora, não mais pelos impérios europeus, mas por um sistema global que dita padrões de comportamento consumo e pensamento. A influência externa e os "influencers" que não agregam em nada, molda o que vestimos, o que consumimos, o que admiramos e até o que consideramos "progresso". Somos bombardeados diariamente por conteúdos que vendem um modelo de sucesso inalcançável, que alimentam a comparação constante e que criam ídolos para serem seguidos, não questionados. O problema não está em consumir, mas em perder senso crítico a ponto de não reconhecermos mais quem nós somos. Educação: A Raiz e a Solução Se quisermos romper esse ciclo, precisamos começar pela base: a educação. Na escola, mas também a educação de casa. E quando digo educação, não estou dizendo apenas a que prepara para o vestibular ou repete fórmulas decoradas, não. Precisamos de uma educação que forme cidadãos críticos, conscientes, capazes de questionar a própria realidade. Que ensine a PENSAR e não só obedecer. Hoje, infelizmente, boa parte do sistema educacional ainda reproduz o mesmo modelo colonial (e sabemos que, para o governo, é essa a educação que eles querem para continuar formando cidadãos com analfabetismo funcional), uma educação de autoridade inquestionável, hierarquia rígida, conteúdo engessado e nenhuma valorização da autonomia intelectual. Ou rompemos com isso - começando em casa, com os nossos filhos - ou continuaremos formando gerações que apenas reproduzem o que ouvem - sem jamais entender o que dizem. Romper é preciso
O primeiro passo para sair da manada é a consciência, ou seja, perceber que estamos sendo levados a repetir sem pensar.
Romper exige coragem. Coragem para questionar ídolos, para não aceitar tudo como verdade, para buscar conhecimento real, para sair da zona de conforto. Exige esforço, persistência e, principalmente: esperança ativa! Porque se perdermos a esperança de que podemos mudar, o que nos resta?
Romper com o Status Quo não é um gesto isolado. É uma jornada coletiva. E ela começa quando cada um de nós decide pensar por conta própria - mesmo que isso signifique ir contra a manada.



Comentários